A depressão em idosos é um problema comum, mas não é uma parte normal do envelhecimento. De fato, estudos mostram que a maioria dos idosos se sente satisfeito com as suas vidas, apesar de ter mais doenças ou problemas físicos.

A boa noticia é que a depressão no idoso pode ser tratada, e com o apoio adequado, tratamento, e estratégias de auto-ajuda você pode se sentir melhor e viver uma vida feliz e alegre.

Depressão em idosos

É um mito que a depressão faz parte do processo natural de envelhecimento. Não é normal que as pessoas de qualquer idade sofram de depressão e isso inclui a população idosa. A depressão acomete 7% da população acima de 60 anos, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). É caracterizada por um desequilíbrio químico no cérebro e pode aparecer após um evento desencadeante ou sem motivo aparente.

Também pode ser difícil de diagnosticar em pessoas mais velhas, pois ela pode se apresentar de forma diferente do que nos mais jovens e ser confundida com outras doenças próprias da faixa etária.

Há evidências de que algumas alterações naturais do corpo associadas ao envelhecimento podem aumentar o risco de uma pessoa ter depressão. As mudanças físicas no corpo de um idoso, como perda de controle sobre sua vida por falta de visão, perda de audição, de força e controle motor bem como dores cronicas são fatores que podem desencadear depressão nos idosos.

Além das questões biológicas, há fatores que abalam as emoções e podem conduzir à depressão no idoso, tais como:

  • Aposentadoria, o que pode gerar uma sensação de inutilidade, uma perda;
  • Sensação de finitude – medo da aproximação da morte;
  • Afastamento gradual de entes muito próximos, como familiares e amigos;
  • Morte do cônjuge e amigos;
  • Recursos financeiros mais limitados.
  • Falta de perspectiva

Tudo isso somado pode dar origem a emoções negativas, como tristeza, ansiedade, solidão e autoestima reduzida, o que, por sua vez, leva ao afastamento social e à apatia. Daí, pode surgir a depressão.

Muitas vezes, os sintomas de depressão comuns (como perda de interesse na vida, falta de prazer em atividades normais, apreensão, sono pobre, pensamentos persistentes de morte, dor crônica inexplicável, má concentração ou insuficiência de memória) incorretamente são atribuídos à idade avançada, demência ou saúde debilitada.

Há muitas razões pelas quais a depressão em idosos é muitas vezes mal diagnosticada:

  • Você pode assumir que você tem uma boa razão para se sentir em baixo ou que a depressão é apenas parte do envelhecimento.
  • Você pode estar isolado – o que, por si só, pode levar à depressão
  • Você pode não perceber que suas queixas físicas são sinais de depressão.
  • Você pode estar relutante em falar sobre seus sentimentos ou pedir ajuda.

E esta confusão é feita pela família e algumas vezes até pelos profissionais de saúde, o que culmina com o diagnóstico tardio da depressão.

A depressão em idosos, geralmente, aumenta o risco de doenças cardíacas e o aparecimento de outras enfermidades. Por esse motivo, é importante certificar-se de que uma pessoa idosa com suspeita de depressão seja avaliada e tratada, mesmo que a depressão seja leve.

Fatores de risco para depressão em idosos

  • Predisposição genética;
  • Histórico familiar de depressão;
  • Dificuldades de mobilidade;
  • Perda da independência;
  • Outras perdas funcionais: audição, visão etc.;
  • Problemas de saúde que requerem tratamento crônico;
  • Insônias;
  • Alterações hormonais;
  • Viuvez e morte de parentes ou amigos;
  • Aposentadoria ou perda do emprego;
  • Queda nos rendimentos e mudança de status socioeconômico;
  • Solidão ou isolamento social;
  • Disfunções sexuais.

Dados estatísticos da depressão em idosos

O ritmo do envelhecimento populacional tem vindo a ser mais rapido do que nos outros anos.

O fato é que pessoas em todo o mundo estão vivendo por mais tempo. Em 2050, espera-se que a população mundial de 60 anos ou mais totalize dois bilhões, contra 900 milhões em 2015. Atualmente, 125 milhões de pessoas têm 80 anos ou mais.

Esse aumento da população idosa esta associado à prevalência elevadas de doenças crônico-degenerativas, dentre elas, estão aquelas que comprometem o funcionamento do sistema nervoso central, como as enfermidades neuropsiquiátricas, particularmente a depressão.

A depressão em idosos atinge cerca de 7% das pessoas acima de 60 anos. Nos Estados Unidos, há cerca de seis milhões de norte-americanos de 65 anos ou mais vivendo com depressão. No entanto, apenas 10% recebem tratamento para depressão, segundo dados do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos.

Sinais e sintomas em idosos

Nos idosos, a depressão ocorre frequentemente em conjunto com outras doenças e incapacidades físicas.

Principais sinais e sintomas da depressão nos idosos:

  • Sintomas físicos crônicos inexplicados – sintomas sem uma causa física explicável, inclusive checados por exames. Os sintomas comuns incluem tonturas, dores crônicas, constipação, perda de peso e insônia. Porém, por meio de uma boa avaliação médica, pode-se começar a suspeitar de depressão.
  • Perda de memória – A depressão nos idosos é muitas vezes acompanhada de mudanças do padrão de memória.
  • Mudanças comportamentais:
  • Não querer sair de casa;
  • Comer pouco ou até recusar alimento;
  • Comportamentos de acúmulo de objetos inúteis, quebrados e até de lixo;
  • Abuso de álcool;
  • Conversas estranhas sobre morte ou interesse repentino em armas;
  • Incapacidade de se concentrar, lembrar ou ter um raciocínio linear (às vezes confundida com demência);
  • Forte tristeza ou apatia;
  • Incapacidade de encontrar prazer em qualquer atividade;
  • Irritabilidade;
  • Inquietação;
  • Mudanças de humor;
  • Murmurações constantes;
  • Acredita não ter mais valor, não ser mais necessário;
  • Culpa excessiva e injustificada;
  • Consultas médicas frequentes sem alívio dos sintomas;
  • Desesperança e / ou pessimismo;
  • Sentimentos de culpa, inutilidade e / ou desamparo;
  • Fadiga e energia reduzida;
  • Dificuldade em se concentrar;
  • Insônia, vigília no início da manhã ou sono excessivo;
  • Pensamentos de suicídio ou até tentativas de suicídio.

Sinais de que a depressão poderá evoluir para o suicídio. Um alerta para familiares, amigos e cuidadores:

  • Comentários, como: “não tenho mais motivo para viver”. “não quero ser mais um fardo para minha família”;
  • Declarações de desesperança, desamparo ou inutilidade;
  • Preocupação com a morte;
  • De repente, do nada, mostra-se mais feliz e mais calmo – como se estivesse perto de uma suposta sensação de alívio;
  • Perda de interesse com aquilo que antes era motivo de muita atenção e ou preocupação;
  • Conversas com entes queridos em tom de despedida;
  • Pressa para colocar assuntos pendentes em ordem;
  • Doação de objetos, pertences e propriedades sem explicação plausível ou fora do comportamento habitual;
  • Excesso de medicamentos reunidos;
  • Recusa de tomar medicamentos e / ou seguir dieta especial.

Doenças e medicamentos podem simular a depressão

Um exame físico completo para descartar outros problemas é crucial antes do diagnóstico de depressão em idosos. Afinal, outras doenças físicas, como Parkinson, esclerose múltipla, diabetes, distúrbios da tireoide, certas infecções virais, acidentes vasculares cerebrais e tumores podem simular os sintomas da depressão, pois costumam causar um desequilíbrio bioquímico no cérebro.

Da mesma forma, ocorre com o uso de certos medicamentos: para pressão arterial; betabloqueadores; colesterol elevado; tranquilizantes; bloqueadores dos canais de cálcio; Parkinson, esteroides, cortisona, analgésicos, remédios para artrite e estrogênios (hormônios).

Portanto, um exame aprofundado é extremamente importante, bem como um histórico médico completo e uma lista de medicamentos já administrados e os que estão atualmente em uso.

Depressão e demência

A ordem de ocorrência dos sintomas ajuda a distinguir depressão de demência, pois, normalmente, os doentes cujas alterações cognitivas precedem os sintomas depressivos parecem ter maior probabilidade de estarem desenvolvendo uma demência propriamente do que aqueles em que a sintomatologia depressiva surge antes das alterações cognitivas.

Normalmente, os idosos apresentam maiores dificuldades na memória de longo prazo, o que poderá ser confirmado por meio de uma avaliação neuropsicológica, que checa as várias memórias.  Também é fundamental averiguar se as dificuldades de memória se instalaram súbita ou gradualmente e se o idoso tem histórico familiar de depressão ou demência.

No entanto, muito frequentemente, um quadro clínico de demência pode ser acompanhado de depressão, o que dificulta o diagnóstico diferencial.

O diagnóstico diferencial deverá ser realizado preferencialmente por um médico especialista, psiquiatra e ou neurologista.

Dentre os vários exames complementares que poderão ser requisitados, estão a tomografia computadorizada e ou a ressonância magnética crânio-encefálicas. É também aconselhável a realização de uma avaliação neuropsicológica.

Sintomas da DepressãoSintomas de demência
O declínio mental é relativamente rápidoO declínio mental ocorre lentamente
Sabe a hora, a data e onde estáConfuso e desorientado; fica perdido em locais conhecidos
Dificuldade em concentrarDificuldade com memória de curto prazo
As habilidades de linguagem e motor são lentas, mas normaishabilidades normais de escrita, fala e motor são prejudicadas
Apercebe-se ou preocupa-se com problemas de memóriaNão nota problemas de memória ou parecem se importar

Fonte: helpguide.org

Tratamento

A principal recomendação dos psiquiatras é nunca considerar uma alteração no comportamento do idoso como sendo algo normal do processo de envelhecimento.

Se existe alteração no comportamento, na forma como o idoso se apresenta, se está mais quieto e isolado, comendo menos, mais apático, menos ativo, tudo isso precisa ser sempre levado em consideração. É essencial compreender e destacar que a depressão não é e não deve ser parte natural do envelhecimento.

Observar o comportamento do idoso e buscar ajuda especializada – ainda que a suspeita de depressão possa estar equivocada – pode trazer o idoso de volta à vida e ao chamado envelhecimento saudável.

Não minimize a depressão em idosos

Tratar adequadamente pacientes idosos com depressão é fundamental; não se deve minimizar nem fazer de conta que o problema não existe. Hoje, existem tratamentos bastante efetivos para o controle da depressão em pessoas idosas.

Depressão em idosos: como tratar

O tratamento da depressão em idosos e acima de 60 anos envolve o uso de medicamentos antidepressivos, outras medicações de suporte, se for preciso, e ações, como tratamento de psicoterapia, retomada de algumas atividades, incentivo ao convívio social, estímulo aos exercícios físicos e bons cuidados com a saúde em geral.

A idade avançada não diminui a eficácia dos tratamentos. A melhoria e a recuperação são possíveis com estratégias adequadas de tratamento e gerenciamento. Tal como acontece com o tratamento de qualquer depressão, os tratamentos mais eficazes devem influenciar características específicas, causas e eventos de vida estressantes para esse indivíduo.

Onde buscar ajuda

  • Médicos – clínico geral, geriatra, psiquiatra e neurologista;
  • Psicólogos;
  • Assistentes sociais;
  • Grupos de apoio;
  • Entre familiares e amigos – para ajudar primeiramente a convencer o idoso a se tratar;

Dicas para quem vai dar suporte

Como ajudar um idoso com depressão:

  • Convide o seu familiar ou amigo idoso com depressão para sair;
  • Programe atividades sociais regulares, como excursões, visitas a amigos e familiares, passeios;
  • Planeje e prepare refeições saudáveis;
  • Incentive a pessoa a seguir o tratamento à risca;
  • Certifique-se de que todos os medicamentos estão sendo tomados corretamente;
  • Observe os sinais de alerta de suicídio. Se suspeitar de algo, aja rapidamente. Procure um serviço de emergência médica.

Prevenção da depressão em idosos

  • Faça a prevenção de doenças que podem levar ao desencadeamento da depressão, como as cerebrovasculares;
  • Saia para passear;
  • Aprenda coisas novas. Faça cursos e até uma faculdade;
  • Busque oportunidades para rir com seus entes queridos, assistindo a uma comédia, vendo vídeos engraçados na Internet ou lendo um livro;
  • Tenha contato com a natureza e ou adote animais domésticos;
  • Hábitos saudáveis são importantes;
  • Faça exercícios regulares e sem exageros, se autorizado pelo médico;
  • Melhore seus hábitos alimentares. Coma em intervalos de três a quatro horas;
  • Qualidade de sono – Muitos idosos costumam ter insônia. Por outro lado, a falta de sono piora a depressão. O ideal é ter de sete a nove horas de sono todas as noites. Evite álcool e cafeína, mantendo um horário regular de sono-vigília e certificando-se de que seu quarto é escuro, silencioso e confortável;
  • Cuidado com o álcool – O álcool pode parecer um alívio. No entanto, ele pode desencadear os sintomas de depressão e ansiedade a longo prazo. Também prejudica a função do cérebro e interage de forma negativa com inúmeros medicamentos, incluindo antidepressivos;
  • Não se desconecte dos seus familiares, dos seus amigos, dos seus entretenimentos saudáveis, da saúde do seu corpo.

Se há vida, há inúmeras possibilidades que surgem a cada dia. Afinal, a vida segue e jovens ou idosos, todos os seres humanos, podem e devem caminhar à procura da felicidade.

Fontes:

WHO – World Health Organization
National Institute of Mental Health US
American Journal of Psychiatry
National Institute of Mental Health
National Mental Health Association
American Society of Psychiatry